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Bate e rebate

15 de abril de 2014
Tempo de leitura: 1 minutos

Doutores da Alegria

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Às vezes a gente escuta coisas no hospital que batem e rebatem em nós, palhaços, de um jeito diferente. E como não senti-las?

O fato aconteceu quando uma adolescente angustiada com seu tratamento recebeu nossa visita no Hospital PROCAPE, no Recife. Ela era de poucas palavras e reações. De uma hora pra outra, sem mais nem menos, ela me chamou de “porco”.

Parado na porta, eu, por trás da máscara, pensei no que senti ao ouvir isso. Sim, é verdade que me tocou, mas eu sabia que não era de verdade que ela falava. Rapidamente, procurei uma solução para reverter a situação e, fazendo um drama, falando choroso, eu disse:

– Olha, já me chamaram de tudo aqui: de “porta-soro” a “poste de amarrar jegue”, mas “porco? ÓINC! ÓINC!

Soltando essa onomatopeia de porco, “revelei” que, talvez, eu, dr. Lui, fosse um. Saí correndo e a dra. Baju ficou cuidando da situação dramática. Nisso, peguei meu receituário besteirológico e desenhei um porcoChamei Baju e pedi que entregasse à menina. Esperei que ela recebesse a receita médica e, de onde eu estava, só ouvi a gargalhada. Rebati!

Também no PROCAPE, um paciente já íntimo nosso estava todo chateado. Perguntamos a ele se tinha sido por nossa causa, se tínhamos feito algo errado, ao que ele respondeu que não. Perguntamos se tinha sido a enfermeira, ele também disse que não.

Perguntamos se tinha sido algum médico e ele respondeu que sim! Que o médico tinha tocado na barriga dele e que tinha doído. Perguntamos se ele queria que nos vingássemos e ele respondeu que sim.

Então, fomos atrás do médico!


Ao nos depararmos com ele – o dr. Eler-, combinamos que o trancaríamos no banheiro e ele aceitou! Entramos na enfermaria do nosso paciente acompanhados do doutor:

– Então, Dr. Eler… Como vai o senhor?… Vamos entrar aqui, bater aquele papo…

E foi aí que o “trancamos” no banheiro e começamos a bater no porta, enquanto o dr. Eler gritava:

– Ai! Socorro! Desculpa, dra. Baju! Desculpa, dr. Lui!

Em seguida, abrimos a porta do banheiro e, quando saímos, o nosso paciente estava com um sorriso que parecia uma talhada de melancia! É, ele rebateu!

por dr. Lui (Luciano Pontes) e dra. Baju (Juliana Almeida)



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brincadeira, médico, palhaço, porco, porta-soro, rebate

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Christiane Alexandra
Visitante
Christiane Alexandra
Visitante

O trabalho de vcs é lindo demais. Parabéns. Me sinto super orgulhosa de na época de 2002 ter participado na elaboração e captação de recursos do projeto de vcs, através do meu trabalho de trainee na consultoria Dialog. Um enorme abraço. Q vcs continuem tendo muita sabedoria pra lidar com as situações adversas como um paciente te chamando de “porco” por exemplo. O paciente sofre muito e as vezes só joga pra fora sua revolta talvez. Eu entendo porque tive minha mãezinha com cancer e uma vez ela me chamou exatamente de porca. Eu fiquei tão triste. Mas hoje entendo… Leia mais »

lucia monteiro
Visitante
lucia monteiro
Visitante

Desde que os Doutores da Alegria forma criados aqui no Brasil eu tenho uma enorme admiração por esse trabalho humanitário e repleto de solidariedade e amor. Parabéns, continuem firmes. Um abraço a todos vcs, ” doutores”. rsrs

Monque Lopes
Visitante
Monque Lopes
Visitante

Ola,
boa noite,
Gostaria muito de participar desse grupo,
como faço??
Parabéns pelo trabalho de vc, isso pra mim chama se caridade, quero muito fazer parte!!
Por favor me ajudem!!
Grata!

Maia
Visitante
Maia
Visitante

Amo o trabalho de vocês, parabéns.

Rubens Tápias
Visitante
Rubens Tápias
Visitante

É especialíssimo êsse trabalho de vocês em trazer alegria nesse ambiente que é mais de sofrimento. ´E um trabalho dificílimo que precisa de muita criatividade e talento. Serão
abençoados sempre. Parabens…doutores da alegria.

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